SAF: MAIS DO QUE UM DIAGNÓSTICO DE TROMBOFILIA 

 

Gerenciar doenças e condições raras pode ser um grande desafio. A síndrome do anticorpo antifosfolipídico (SAF) pode ser classificada como um estado de doença com muitas variáveis ​​que ainda são raramente identificadas. As decisões terapêuticas devem centrar-se na avaliação adequada do estado pró coagulante enquanto equilibram-se os riscos da terapia anticoagulante. Uma avaliação laboratorial deve ser realizada, bem como considerar e a presença de doenças autoimunes associadas e outros fatores de risco para trombose venosa ou arterial, bem como perdas gestacionais pregressas.

 

A SAF é uma doença auto-imune sistêmica pró trombótica caracterizada por trombose venosa e/ou arterial ou morbidade obstétrica, acompanhada pela presença de anticorpos antifosfolípidicos elevados ou positivos em duas ou mais ocasiões em um intervalo mínimo de 12 semanas. A SAF pode afetar pessoas de todas as idades e é mais comum em mulheres do que em homens. Indivíduos com problemas reumáticos ou auto-imunes são mais propensos a serem diagnosticados com SAF.

 

Existem várias formas de SAF. A forma mais comum é a de trombofilia adquirida, nas quais os anticorpos antifosfolipidicos estão presentes em 1% a 5% da população. No entanto, apenas um pequeno número desses pacientes receberá um diagnóstico de SAF. As pessoas sob esse diagnóstico são mais suscetíveis a trombose recorrente. A trombose arterial ou venosa de pequenos vasos é uma das principais características e causa de morte nesta população. A SAF catastrófica, que é uma forma mais rara e potencialmente fatal da SAF ocorre em menos de 1% dessa população e é caracterizada pelo desenvolvimento rápido de trombose que afeta órgãos múltiplos e leva a falência dos mesmos.

Não há cura para a SAF. No entanto, existem várias opções de tratamento. Algumas modalidades de tratamento são terapia não anticoagulante, terapia anticoagulante e eliminação de anticorpos antifosfolipidicos. Os esteróides com doses elevadas, a terapia imunossupressora ou a troca de plasma podem diminuir ou eliminar esses anticorpos. Infelizmente, essas opções de tratamento só são recomendadas em situações especiais, porque os anticorpos antifosfolipidicos podem retornar após a cessação da terapia e resultar em trombose "rebote" nos primeiros 6 meses após a interrupção do tratamento.

 

Algumas opções de tratamento não anticoagulante incluem o uso de inibidores de HMG Co-A reductase (ie, estatinas) e rituximab. As estatinas têm um papel importante no tratamento da SAF devido aos seus efeitos anti-inflamatórios, anticoagulantes e imunorreguladores. O Rituximab tem sido utilizado em pacientes com SAF refratária, no entanto, não foi aprovado para esta indicação.

 

O principal instrumento da SAF é a anticoagulação. O agente preferido, intensidade e duração do tratamento permanecem controversos, particularmente em indivíduos com trombose arterial prévia. Os pacientes apresentam maior risco de hemorragia devido à manifestação de trombocitopenia. Dois ensaios controlados randomizados compararam o antagonista de vitamina K (terapia VKA) (INR: 2,0 a 3,0) com terapia de VKA de alta intensidade (INR: 3,1 a 4,0) em pacientes com SAF após o primeiro evento de trombose venosa . Os resultados do estudo não indicaram diferença nas taxas de trombose recorrente ou maior risco de hemorragia, apoiando assim o uso de anticoagulação de intensidade padrão. A duração ideal é tipicamente longa devido ao alto risco de recorrência talomática após a cessação da terapia. Pacientes com SAF em sua primeira trombose arterial devem receber terapia anticoagulante (faixa alvo INR: 2,5 a 3,5) ou terapia anticoagulante (faixa alvo INR: 2,0 a 3,0) mais aspirina. Vale ressaltar que, apesar de existirem novas terapias anticoagulantes  estabelecidas para uso em outros distúrbios relacionados à trombose, suas utilizações no tratamento da SAF ainda não foram suficientemente estudadas. Com estudos clínicos em curso, o futuro pode ser otimista.

 

A SAF costuma ser subdiagnosticada, sendo um diagnóstico freqüentemente feito somente após a paciente ter sofrido um evento trombótico ou complicação obstétrica. Com dificuldades em identificar pacientes com SAF em risco de complicações de trombose, a prevenção primária é pertinente em pacientes assintomáticos com anticorpos antifosfolipidicos positivos, indivíduos com lúpus eritematoso sistêmico e pacientes com SAF obstétrica. Uma profilaxia secundária adequada deve ser assegurada em pacientes que tiveram episódios anteriores.

 

Fonte: http://www.pharmacytimes.com/, por Dr. Resseguie is an advanced practice anticoagulation pharmacist for the Brigham & Women’s Hospital Anticoagulation Management Service in Boston, Massachusetts.